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  2º Boletim de Vigilância em Saúde
24/08/2018
 
     
 
No campo da Saúde, a Vigilância está relacionada às práticas de atenção e promoção da saúde dos cidadãos e aos mecanismos adotados para prevenção de doenças. Além disso, integra diversas áreas de conhecimento e aborda diferentes temas, tais como política e planejamento, territorialização, epidemiologia, processo saúde-doença, condições de vida e situação de saúde das populações, ambiente e saúde e processo de trabalho. A partir daí, a vigilância se distribui entre: Epidemiológica, Vigilância Ambiental, Vigilância Sanitária e Saúde do Trabalhador.

A) INTRODUÇÃO

Acidentes envolvendo animais peçonhentos afetam principalmente comunidades rurais localizadas em países pobres ou em desenvolvimento. Trabalhadores rurais e crianças constituem os grupos predominantemente acometidos. Enquanto problema de saúde pública, os envenenamentos demonstram certa peculiaridade, porque, ao contrário de outras doenças, o tratamento dedicado às vítimas existe e é altamente efetivo se a administração do antiveneno for adotada em tempo, especificidade e quantidade adequados. No entanto, a ausência de imediata procura por atendimento, a indisponibilidade de serviços de saúde em determinadas localidades, a escassez do soro antiveneno e a deficiência na capacitação de profissionais de saúde são fatores que prejudicam a adoção do tratamento e a formulação de estratégias de cuidado. O reconhecimento das características dos acidentes proporciona uma melhor compreensão da magnitude dos impactos. Informações sobre a incidência, mortalidade, manifestações clínicas e evolução dos casos tornam-se, portanto, essenciais para a orientação das políticas de prevenção, para o gerenciamento dos recursos associados à produção dos soros e para o treinamento de profissionais responsáveis pelos atendimentos. No Brasil, importantes iniciativas direcionadas ao monitoramento dos agravos foram desenvolvidas, como o Programa Nacional de Ofidismo, em 1986, e o Programa Nacional de Controle de Acidentes por Animais Peçonhentos, em 1988, o primeiro determinando a obrigatoriedade das notificações de envenenamentos por serpentes e o segundo incluindo os acidentes por escorpiões e aranhas.

B) DESENVOLVIMENTO

Acidentes por animais peçonhentos

 Em 2006, Minas Gerais registrou o segundo maior número absoluto de acidentes ofídicos (3.857 casos) e o maior número de acidentes escorpiônicos (8.250 casos) em todo o País, com risco considerado médio (20 casos/100 mil hab.) para o ofidismo e muito alto para o escorpionismo (43). Do total de óbitos devidos a escorpionismo no Brasil (23), 26% foram registrados neste estado (6), e 7 óbitos por ofidismo (9%), totalizando, com acidentes por outros animais, 18 óbitos, o maior número absoluto de óbitos do País.

De acordo com o Sistema de Informação de Agravos de Notificação foram notificados dois casos de acidentes por animais peçonhentos no Município.

ACIDENTES OFÍDICOS.

Envenenamento causado pela inoculação de toxinas, por intermédio das presas de serpentes (aparelho inoculador), podendo determinar alterações locais (na região da picada) e sistêmicas. AGENTES CAUSAIS Os acidentes por serpentes de importância médica no Brasil são divididos em quatro tipos: Botrópico: causado por serpentes dos gêneros Bothrops e Bothrocophias (jararaca, jararacuçu, urutu, cruzeira e caissaca). É o de maior importância e distribuição dentre os acidentes ofídicos no Brasil. Crotálico: ocasionado por serpentes do gênero Crotalus (cascavel). Laquético: provocado por serpentes do gênero Lachesis (surucucu-bico-de-jaca, surucucu-de-fogo, surucutinga) Elapídico: causado por serpentes do gênero Micrurus e Leptomicrurus. O gênero Micrurus (coral verdadeira) é o principal representante de importância médica da família Elapidae no Brasil.


MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS:

Acidente botrópico Manifestações locais: dor, edema e equimose na região da picada (pode progredir ao longo do membro acometido). Manifestações sistêmicas: sangramentos em pele e mucosa são comuns (gengivorragia, equimoses a distância do local da picada); hematúria, hematêmese e hemorragia em outras cavidades. Acidente crotálico • Manifestações locais – não se evidenciam alterações significativas. Dor e edema são usualmente discretos e restritos ao redor da picada. Eritema e parestesia são comuns. • Manifestações sistêmicas – manifestações neuroparalíticas com progressão crâniocaudal, iniciandose por ptose palpebral, turvação visual e oftalmoplegia. Acidente laquético As manifestações locais e sistêmicas são indistinguíveis do quadro botrópico. A diferenciação clínica se faz quando – nos acidentes laquéticos – estão presentes alterações vagais (náuseas, vômitos, cólicas abdominais, diarreia, hipotensão, choque). Acidente elapídico • Manifestações locais: dor e parestesia na região da picada são discretos, não havendo lesões evidentes. • Manifestações sistêmicas – fácies miastênica ou neurotóxica (comum ao acidente crotálico). As possíveis complicações são decorrentes da progressão da paralisia da face para músculos respiratórios.

DIAGNÓSTICO TRATAMENTO:

É eminentemente clínicoepidemiológico, não sendo empregado exame laboratorial de rotina para confirmação do tipo de veneno circulante. Nos acidentes botrópicos, laquéticos e crotálicos, exames de coagulação devem ser realizados para confirmação diagnóstica e avaliação da eficácia da soroterapia. Diagnóstico diferencial Para as áreas onde há superposição na distribuição geográfica de serpentes do grupo Bothrops e do gênero Lachesis, o diagnóstico diferencial somente é possível com a identificação do animal ou, no caso de acidente laquético, pela possibilidade de desenvolvimento de manifestações vagais. O tratamento é feito com a aplicação do antiveneno (soro) específico para cada tipo de acidente, de acordo com a gravidade do envenenamento.

DEFINIÇÃO DE CASO ESCORPIONISMO:

O envenenamento é causado pela inoculação de toxinas, por intermédio do aparelho inoculador (ferrão) de escorpiões, podendo determinar alterações locais e sistêmicas. AGENTES CAUSAIS Os escorpiões de importância médica no Brasil pertencem ao gênero Tityus, com quatro espécies principais: • Tityus serrulatus (escorpiãoamarelo); • Tityus bahiensis (escorpiãomarrom); • Tityus stigmurus (escorpiãoamarelo do Nordeste); e • Tityus obscurus (escorpiãopreto da Amazônia). Podem ser encontrados em áreas secas, biotas úmidos, áreas costeiras e regiões urbanas. O hábito noturno é registrado para a maioria das espécies. Dentro do domicílio, podem se esconder em armários, calçados ou sob peças de roupas deixadas no chão, aumentando o risco de acidentes. São animais carnívoros e alimentam-se principalmente de insetos, como grilos e baratas.

INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES 1:

Assistência médica ao paciente Todo paciente deve ser atendido por médico para o diagnóstico e indicação do tratamento. Recomenda-se que todos os pacientes submetidos à soroterapia sejam hospitalizados para monitoramento da evolução e possível aparecimento de reações adversas ao antiveneno, avaliação da eficácia da soroterapia e verificação da ocorrência de complicações locais e/ou sistêmicas. 2. Qualidade da assistência O diagnóstico e o tratamento oportunos são fatores fundamentais para o prognóstico do paciente. A inoculação de pequena quantidade de peçonha pode determinar o aparecimento tardio dos sintomas. Desse modo, indica-se a observação mínima de 6 a 12 horas em todos os casos cujas manifestações clínicas não sejam evidentes no momento da admissão. O paciente deve ser avaliado, minuciosamente, para se evitar a administração errônea ou desnecessária de antiveneno nos casos de acidente sem envenenamento, por animal não peçonhento, ou por erro no diagnóstico. 3. Medidas de prevenção e controle Por serem animais silvestres, é legalmente proibida a captura e o transporte sem licença da autoridade competente. Porém, em ambientes urbanos, os animais peçonhentos fazem parte da fauna sinantrópica e são passíveis de controle e manejo quando em objeto de normatização técnica do Ministério da Saúde. No caso de escorpiões, o Manual de Controle de Escorpiões (2009) respalda o manejo e o controle; porém, para os outros animais peçonhentos de importância em saúde, a coleta está condicionada à licença expedida pelas autoridades competentes (vide: Lei nº 5.197, de 3 de janeiro de 1967; Instrução Normativa Ibama nº 141, de 19 de dezembro de 2006). Praguicidas e outros produtos tóxicos não têm ação comprovada no controle de artrópodes peçonhentos (em especial dos escorpiões) no ambiente. Além disso, há escassez de estudos acerca do impacto, ambiental e na saúde humana, da utilização de praguicidas para o controle de artrópodes peçonhentos. Apesar de não serem bem conhecidos os fatores que acarretam mudanças no padrão das populações de animais peçonhentos em um determinado meio, desequilíbrios ecológicos (ocasionados por desmatamentos, uso indiscriminado de agrotóxicos, praguicidas e outros produtos químicos, processos de urbanização) e alterações climáticas têm participação no incremento dos acidentes e, consequentemente, importância na saúde pública.


PROTEÇÃO INDIVIDUAL:

• Utilizar equipamentos de proteção individual (EPI), como luvas de raspa de couro e calçados fechados, durante o manuseio de materiais de construção (tijolos, pedras, madeiras e sacos de cimento); transporte de lenhas; movimentação de móveis; atividades rurais; limpeza de jardins, quintais e terrenos baldios, entre outras atividades. • Olhar sempre com atenção o local de trabalho e os caminhos a percorrer. • Não colocar as mãos em tocas ou buracos na terra, ocos de árvores, cupinzeiros, entre espaços situados em montes de lenha ou entre pedras. Caso seja necessário mexer nestes lugares, usar um pedaço de madeira, enxada ou foice. • No amanhecer e no entardecer, evitar a aproximação da vegetação muito próxima ao chão, gramados ou até mesmo jardins, pois é nesse momento que serpentes estão em maior atividade. • Não mexer em colmeias e vespeiros. Caso estas estejam em áreas de risco de acidente, contatar a autoridade local competente para a remoção. • Inspecionar roupas, calçados, toalhas de banho e de rosto, roupas de cama, panos de chão e tapetes, antes de usá- los. • Afastar camas e berços das paredes e evitar pendurar roupas fora de armários. PROTEÇÃO DA POPULAÇÃO • Não depositar ou acumular lixo, entulho e materiais de construção junto às habitações. • Evitar que plantas trepadeiras se encostem às casas e que folhagens entrem pelo telhado ou pelo forro. • Controlar roedores existentes na área. • Não montar acampamento próximo a áreas onde normalmente há roedores (plantações, pastos ou matos) e, por conseguinte, maior número de serpentes. • Não fazer piquenique às margens de rios, lagos ou lagoas, e não encostar-se a barrancos durante pescarias ou outras atividades. • Limpar regularmente móveis, cortinas, quadros, cantos de parede e terrenos baldios (sempre com uso de EPI). • Vedar frestas e buracos em paredes, assoalhos, forros e rodapés. • Utilizar telas, vedantes ou sacos de areia em portas, janelas e ralos. • Manter limpos os locais próximos das residências, jardins, quintais, paióis e celeiros; • Combater insetos, principalmente baratas (são alimentos para escorpiões e aranhas); • Preservar os predadores naturais dos animais peçonhentos.


C) CONCLUSÃO

As características epidemiológicas descritas neste Boletim possibilitam delinear a situação dos acidentes com animais peçonhentos na região, mostram-se fundamentais para orientação das ações de prevenção e de educação em saúde; para o gerenciamento dos serviços de atenção e a otimização da oferta do soro antiveneno; e para o treinamento de equipes e profissionais de saúde.


D) REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

Secretaria de Vigilância em Saúde/MS • Relatório de Situação Minas Gerais http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/caderno_mg_2007.pdf
SINAN